quarta-feira, 30 de maio de 2018


               Verso e Prosa




sábado, 5 de maio de 2018

A PRISÃO DO EX-PRESIDENTE LULA EM CORDEL - A literatura de cordel continua sendo um informativo formador de opinião. Os poetas Guaipuan Vieira e Jotabê, de Fortaleza, escreveram sobre a prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. De Jotabê, Lula na prisão-Menos um ladrão. Guaipuan, Lula - do Palácio do Planalto ao presídio. 


Lula-do Palácio do Planalto 
ao presídio. Guaipuan Vieira
Outra vez a minha pena
Auxilia a minha rima
E a inspiração navega
A mente como uma mina
E dela escrevo u'a história
Pra muitos de pouca estima.
Mas a vida de poeta
Que escreve por vocação
Ele mantém o folheto
Como existiu no sertão,
Sendo agente de notícia
Para dar informação.
Porém não tiro a razão
De quem defende e acusa,
Cada mente uma sentença
É o livre arbítrio que usa,
Mas entendo que o culpado
Sempre seu crime recusa.
De Lula um ex-presidente
Deste país muito amado
Se destina esta história
Pelo leitor, esperado
Por ele ser personagem
Popular, de bom agrado.
Desse filho nordestino
Do estado pernambucano
Deve-se reconhecer
Que o governo fez bom plano
Isto em prol do social
Negar é ser desumano.
Mas o Lula decantado
Pelo povo brasileiro
Se deixou ser abatido
Por um ato corriqueiro
O da ganância que chega
Contudo fala primeiro.
(...)
De seu partido ele é vítima
Sei que tem gente honesta
Porém essa minoria
Por ser boa ela não presta
Sempre foi uma voz vencida
Por quem o certo detesta.
Os ímprobos do partido
Com seu plano arquitetado
Tendo Lula o companheiro
Pra trama ele foi usado
Descoberto, se calou
Para não ser difamado.
Ele até que fez esforços
Pra desgaste não sofrer
Mas o tempo ele observa
Faz tudo transparecer
Embora demore um pouco
Nada tem para esconder.
Descoberta a falcatrua
Do chamado mensalão
Pago pra parlamentares
Pelo chefe da nação
Contrariando os projetos
Sem ter sua aprovação.
Mas um membro desse esquema
Nervoso fui delatar
E os vinte mensaleiros
Terminaram no lugar
Onde o trambiqueiro mora
Cadeia sendo o lugar.
Com isto a imagem de Lula
Começou ser desgastada
Mas Jefferson,delator
Bem esperto na jogada
O isentou desse vexame
Fazendo grande cartada.
Lula que era presidente
Deste país tropical
Em seu cargo se manteve
Escapou do vendaval
Dos corruptos do Congresso
Desde o tempo de Cabral.
(...)
Não cessaram acusações
A Lula e seu partido
E mesmo sem ter as provas
De seu crime cometido
O líder foi condenado
O grande fato ocorrido.
Hoje preso em uma cela
Atento escuta o refrão
É do povo dividido
Que não enxerga a razão
De Lula ser o político
Divisor de opinião.
Conceito de amor e ódio
Fazem a diversidade
E Lula por ser um mito
Sua corruptividade
Seus vassalos o defende
Não importa a gravidade.
E o misto de salvador
De seu rebanho esperado
Mesmo fora da política
Ele será cultuado
E outro líder no Brasil
Não chega ter resultado.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

 Negão da Macaúba(O terror dos bairros) - Nos anos 80 em Teresina, circulava a história do Negão da Macaúba.Negão Era um misto de fantasma que agredia as   mulheres. O fato ganhou os bastidores da imprensa e rendeu comentários naquela Verde capital piauiense. Para muitos foi um contra peso para quebrar aquela rotina. Sendo assunto típico da literatura de cordel, o poeta Guaipuan Vieira escreveu sobre o assunto.

  

      Foi nos anos de oitenta
Que na grande Teresina
Houve moça agredida
Mudava aquela rotina
E a polícia em prontidão 
Para prender o Negão 
Acabar sua negra sina.

Os bairros da Macaúba,
Vermelha com Tabuleta,
Piçarra, Monte Castelo,
A coisa era mais preta.
São Pedro e até o Horto 
Afirmavam: vai ter morto,
Não prendendo esse maleta.

Toda imprensa registrava 
Aquele acontecimento
E o maníaco ou fantasma
Mais provocava tormento.
O padre lá na igreja 
Rezava Deus nos proteja!
Com a missa e sangramento.

Igrejas eram lotadas
De fiel e até ateu.
Teve um cabra valentão
Que em muita gente bateu
Porém um dado momento,
Barulho vindo do vento,
Bem pra longe ele correu.

Mulheres não mais saíam 
Sem ter acompanhamento,  
E a polícia investigando 
Pra um desfecho a contento.
Mas o Negrão se sangrava, 
Pra outro bairro migrava
E a cidade em tormento.

Uns diziam: é a besta-fera
Que vem buscar pecador,
Pra outros o lobisomem 
Que é de sangue bebedor,
E nessa terra tão quente
Veio atrás de um ser vivente
Que amenize o seu clamor.

Mas os dias de tormento
De súbito paralisou.
Não foi preso o procurado,  
Normal a vida voltou,
Mas pessoa fuxiqueira
Uma outra estória, ligeira,
Na cidade divulgou.

Pra muitos a Num-se-Pode 
Vagando na escuridão,
Naquelas horas de cio 
Acasalou com o Negão,
Fez romance imediato
E depois fizeram trato,
Ele foi pro Maranhão.

Da polícia o secretário 
Fez ligeiro a coletiva,  
Explicando para imprensa 
Mantendo a voz ativa,
Que o Negão tava acuado 
E fugir foi resultando 
Por ver força repressiva. 

A história do Negão 
Que atacava a mulherada
Foi um fato acontecido 
Pela imprensa acompanhada.
Juro que só descrevi
O que no rádio eu ouvi,
Não foi conversa fiada.

 Fortaleza,1984 - O autor é filho de Teresina, radicado em Fortaleza desde de 1978. Sempre acompanhou as notícias da Verde Capital piauiense, na época através da Rádio Pioneira de Teresina, que transmitia em (OT) ondas tropicais, 60m, afirmou o poeta.