quinta-feira, 19 de maio de 2016

Cordel do impeachment de Dilma Rousseff
O poeta Guaipuan Vieira, acaba de lançar seu novo cordel, trata-se da saga do impeachment 
de Dilma Rousseff. Vieira faz uma retrospectiva politica de Dilma, abordando motivos que fizeram a presidenta ser afastada. É um folheto com 8 páginas, bem elaborado..

Dois mil e dez a política
Dessa pátria brasileira,
Pra cargo de presidente
A mulher abriu porteira
Pertinente aos obstáculos
Quando ergueu forte bandeira.

No entanto, Dilma Rousseff,
Era mui desconhecida
Por qualquer eleitorado
Dessa pátria tão querida;
Por nunca ter disputado
Uma eleição na sua vida.

Foi no governo de Lula
Ministra bem sucedida,
Tanto em Minas e Energia
Sendo bem reconhecida,
Também na Casa Civil
Outra missão bem cumprida.  

Devido ao bom desempenho
Feito em cada ministério,
Lula muito experiente
Pensou ligeiro e bem sério:
Eu não tenho um sucessor,
Vejo Dilma com critério.

Lula após seus oito anos
Governando esta nação
Conquistando índice bom
De sua administração,
Indicando o sucessor
Vendo certa a aprovação.

Quatro meses de campanha
Segundo turno acirrado,
Dilma venceu José Serra,
Mas ele deixou recado:
A tucanada está viva
Com fiel eleitorado!

Dilma assumiu seu governo
Ouvindo orientação,
Mantinha o Brasil no rumo,
Sustentava a evolução,
Vendo a política externa
Sobre olhar de projeção.
  
(...)Os programas sociais
Fez a reformulação
Conquistando a grande massa
Humilde de coração,
Que presa à pequena ajuda
Tem voto de gratidão.

Mas com a crise dos ministros
Seu governo era abalado
Em seguida a Petrobrás
Tendo esquema investigado
E Dilma foi governando
Buscando bom resultado.

Findava aquele mandato
Com baixa na economia,
Popularidade em queda,
Inflação sem harmonia,
Mas à frente outra eleição,
Campanha que enfrentaria.

(...)Outubro chegava ao fim
Campanha tão acirrada,
E o tucano Aécio Neves
Com votação elevada;
Por pouco não foi eleito,
Dilma vencia a empreitada. 

Mas seu segundo mandato
Primeiro mês governando,
Uma série de questões
Estavam lhe incomodando,
Causando dor de cabeça
Cada vez mais se agravando.

Seu governo com o Congresso
Não tinha articulação
Gerava crise política
Comprometendo a nação
Que mesmo o bom aliado
Criticava essa questão.

O povo desta nação
Estava sendo afetado
Com os juros da casa própria
Em nível muito elevado
Também regras trabalhistas
Pioravam o resultado.
  
Medidas impopulares
Sempre estavam existindo,
Aumento dos combustíveis
Outra vez nos agredindo
E mais a conta da luz,
Só o salário reduzindo.

Crise governamental
Já havia se revelado
Mostrando forte inflação
Negativo resultado
E o trabalhador em casa
Por estar desempregado.

Nesse entrave a presidente
Viu que não arrefecia
A crise na Petrobrás
Que mais forte ressurgia
Tendo o partido envolvido
Que seu governo atingia.

Setembro, dois mil e quinze,
Um impeachment foi pedido,
Contra a presidente Dilma
E que chegava aguerrido
À Câmara Federal
Visando ser acolhido.

Todavia, outros pedidos
Continham o igual teor:
As “pedaladas fiscais”
Que a presidente em favor
De pagar o Bolsa Família
Fez causar seu dissabor.

Porém Eduardo Cunha
Da Câmara o presidente,
Fizera separação
Do então governo existente;
Pra bancada governista
Empecilho bem presente.

Não escapou da vingança
Após esse rompimento;
Linha de investigação
Fez nascer grande tormento,
E seu mandato abalado
Cassa-lo foi entendimento.
  
A crise mais se agravava
E as contas da reeleição,
Da senhora presidente
Ganhava reprovação,
Do austero Tribunal
Que é de Contas da união.

Enquanto isto senhor Cunha
Já estava denunciado,
No Supremo Tribunal
Por um esquema montado
De propina recebida
Cinco milhões desviado.

Mas Cunha por ser astuto
Depois de ouvir aliado,
Para o impeachment de Dilma;
Positivou resultado,
E a oposição que aguardava
Saudou o momento esperado.

Na Câmara e no Senado
O governo viu derrota,
E a voz do povo nas ruas
Foi uma expressiva cota
Que afastou a presidente
Tendo o Brasil nova rota.

Aguardemos julgamento
Da presidente afastada,
Porém não se vê retorno,
Essa pátria está quebrada
Um retrocesso seria
Ter crise mais elevada.

Dilma foi abandonada
Pela base do partido, 
Viram em sua permanência
Algo muito sem sentido,
Mas ela foi defendida
Pra o poder não ser perdido.
  
Cunha, sobre a presidente
Ele nos profetizou:
Que ela sairia primeiro,
Portanto, quase acertou,
Os dois já foram afastados
Como o destino ordenou.

Ao findar a minha história
Relembro um líder esquerdista, 
Que gritava: fora Collor!
Em seu passado ativista,
E hoje vê que o futuro 
Não perde ninguém de vista.  
                                             
Contato com o autor: guaipuanvieira@yahoo.com.br
Fones:(85) 98810.8010- 99770.3220-Tim
ACESSE: http://www.cecordel.com.br/

terça-feira, 29 de março de 2016

CANTOS DE CORDEL
    
Com apoio do Cecordel e edição da Editora Ribeiro’s, o poeta cordelista Gennecy Silva, baiano de Paulo Afonso, realizou o sonho de publicar o livro Contos de Cordel, uma coletânea de poemas populares, produzidos em meados de 1988. Dessas obras destacam-se a LUTA DO TOURO COM A SUCURI e LAMPIÃO NO PURGATÓRIO. É uma obra singular que enriquece a literatura de cordel. No poema Reflexão, o autor exalta os desígnios da vida, em paralelo à existência divina.



Quando vem dificuldades  
Tornar caminhos incertos,  
Nunca cruze os seus braços
Diante desses desertos;
Pense só por um segundo
Que o maior homem do mundo
Morreu de braços abertos.

Pertence a Deus a montanha
O vulcão que o fogo lança,
A temível cachoeira,
O lago que trás bonança;
É de Deus o homem eleito
Que carrega no meu peito
Um coração de criança.

Pouco tenho nessa vida
Sofrida e muito enfadada,
Mais o pouco que possuo
Vale mais que esmeralda,
É um tesouro lapidado,
Pouco com Deus é aumentado
Muito sem Deus não é nada.

Acesse:

Uma entidade a serviço da literatura de cordel -29 anos conservando,
e incentivando essa cultura popular nordestina.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

ARQUIVO CULTURAL
LEITURA
Um livro por uma rosa

Na Praça dos Leões, doar e comprar livros foram motivos para ganhar rosas. A Festa do Livro e da Rosa acabou neste sábado
A FESTA DO LIVRO e da Rosa foi encerrada ontem na Praça dos Leões, Centro de Fortaleza(Foto: EVILÃZIO BEZERRA)
[23 Abril 16h15min 2005]

Livros para todos os gostos e idades. Distribuição de rosas, contação de histórias, maratona de leitura do Quixote das Crianças de Monteiro Lobato, oficina de cordel. Pela praça, a trupe literária Cavaleiros da Dama Pobreza e Grupo Garajal convocavam os presentes, por meio da música, a conhecer o ''mundo'' mágico da leitura. Essas atrações marcaram o encerramento, neste sábado, da Festa do Livro e da Rosa, na Praça dos Leões, no Centro de Fortaleza.

Nixon Araújo, assessor da Coordenadoria de Política do Livro e Acervo da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), diz que a festa, em Fortaleza, foi inspirada na tradição da Espanha, onde os livreiros vão às ruas e, além de vender livros, entregam rosas à população. Segundo ele, a Unesco aproveitou a iniciativa e instituiu o dia 22 de abril como o Dia Mundial do Livro. Esta é a terceira edição do evento na capital cearense. Na Praça dos Leões estavam 14 livreiros, foram montados estandes da Secretaria da Educação Básica (Seduc) e da Biblioteca Pública governador Menezes Pimentel.

Desde o último dia 22, foram realizadas atividades literárias em praças, na Academia Cearense de Letras (ACL) e Museu do Ceará. Grupos de contação de história e de oficina de poesias também foram aos bairros Tancredo Neves e Mercado dos Pinhões. Na Academia Cearense de Letras, houve mesa-redonda sobre os 400 anos de Quixote, de Miguel de Cervantes, e apresentação de teatro sobre a obra do autor. Guaipuan Vieira, autor do cordel sobre a história da vida e da morte do Papa João Paulo II, estava animado com a procura pela literatura de cordel. Os exemplares estavam sendo vendidos a R$ 1,00.

A técnica de radiologia Silvia de Oliveira confessa que ficou encantada com a variedade de títulos literários. ''A vontade que tenho é de ficar por aqui, conferindo e comprando''. Os autores preferidos dela José de Alencar e Machado de Assis. Não foi por menos que levou uma das principais obras de Machado, Dom Casmurro, para o filho de 13 anos. ''O mais interessante aqui é poder comprar barato e ainda ganhar rosa''.

A guia de turismo Inês Ferreira gostou da idéia da festa e sugeriu que o evento fosse repetido a cada mês. ''Achei ótima''. O aposentado Pedro da Silva, 68, foi ao centro fazer umas compras e aproveitou para comprar livros. ''Com um preço desse, vou levar Tieta do Agreste, de Jorge Amado, e As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis''. A Festa do Livro e da Rosa é realizada pela Secult, em parceria com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), com apoio da Prefeitura de Fortaleza.



Acessehttp://www.cecordel.com.br/
Deixe seu comentário e envie seus trabalhos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Sarau junino homenageia grandes poetas populares brasileiros

24/06/2015 • 16:30
Da redação do Portal AZ


Poesia também rima com festa junina. Tanto que nesse mês mais festivo do nordeste, a Oficina da Palavra  promove o Sarau Junino. Será nesta quinta, às 20h, em homenagem aos poetas Patativa do Assaré, Hermes Vieira, “João José Piripiri”, “Zé da Luz”; “Azulão”,  que produziram obras marcantes em diversas partes do país.

Mestre Azulão, um dos fundadores da feira nordestina no Rio de Janeiro, escreveu mais de 300 cordéis, repentista renomado, é considerado o príncipe do cordel brasileiro. O repentista Zé da Luz foi poeta popular brasileiro, alfaiate de profissão, tornou-se um dos nomes mais divulgados do repente nacional.

Outros nomes do folclore nordestino, como Hermes Vieira, incluíram o Piauí no rol de estados exportadores da boa poesia cordelista. “João José Piripiri” foi o pseudônimo de Cineas Santos enquanto escritor de cordéis na década de 70. A temática de sua produção à época continua recente, pois tinha como foco mostrar uma sociedade desigual; situação que ainda persiste.
Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré (foto acima), conseguiu grande expressão no país, tornando-se um dos principais nomes do cordel no Brasil e no exterior. Sua vida e obra são de grande importância científica, sendo temas de produções acadêmicas em diversas áreas do saber humanístico. 

O cardápio do sarau contará com os típicos pratos sertanejos: maria-isabel; beiju com carne de sol; paçoca; pamonha; canjica; cocada e rapadura. A noite promete com muito pé-de-serra e festa a noite toda. A entrada é franca. Viva o sarau junino!

OBS: O poeta Hermes Vieira não era cordelista. Era um poeta popular e indianista. Sua poética  expressa o dialeto do homem nordestino. Com métricas na 3ª e 7º sílaba. Estilo próprio, o que o poeta cordelista não faz. 


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016


A CHEGADA DE LAMPIÃO NO CÉU

Um clássico da literatura de cordel, escrito nos anos 70, em Teresina Piaui, pelo poeta piauiense Guaipuan Vieira. Várias edições. Cordel cedido ao Domínio Público para pesquisa. É tema de estudos em livros didáticos, monografias e dissertações de mestrado.


Foi numa Semana Santa
Tava o céu em oração
São Pedro estava na porta
Refazendo anotação
Daqueles santos faltosos
Quando chegou Lampião.

Pedro pulou da cadeira
Do susto que recebeu
Puxou as cordas do sino
Bem forte nele bateu
Uma legião de santos
Ao seu lado apareceu.




São Jorge chegou na frente
Com sua lança afiada
Lampião baixou os óculos
Vendo aquilo deu risada
Pedro disse: Jorge expulse
Ele da santa morada.

E tocou Jorge a corneta
Chamando sua guarnição
Numa corrente de força
Cada santo em oração
Pra que o santo Pai Celeste

Não ouvisse a confusão(...)



















O pilotão apressado
Ligeiro marcou presença
Pedro disse a Lampião:
Eu lhe peço com licença
Saia já da porta santa
Ou haverá desavença.

Lampião lhe respondeu:
Mas que santo é o senhor?
Não aprendeu com Jesus
Excluir ódio e rancor?...
Trago paz nesta missão
Não precisa ter temor.

Disse Pedro isso é blasfêmia
É bastante astucioso
Pistoleiro e cangaceiro
Esse povo é impiedoso
Não ganharão o perdão
Do santo Pai Poderoso.

Inda mais tem sua má fama
Vez por outra comentada
Quando há um julgamento
Duma alma tão penada
Porque fora violenta
Em sua vida é baseada.

 - Sei que sou um pecador
O meu erro reconheço
Mas eu vivo injustiçado
Um julgamento eu mereço
Pra sanar as injustiças
Que só me causam tropeço.


terça-feira, 13 de outubro de 2015

 A HISTÓRIA DE UMA CADELA AMIGA 
    
 O poeta palmaciano Helder Campos, autor de dezenas de cordéis, com temáticas diversas, não perde tempo para escrever novas histórias, típicas da literatura de cordel. O trabalho mais novo narra A HISTÓRIA DA CADELA QUE PERMANECEU JUNTO AO DONO MESMO APÓS A SUA MORTE.  O fato aconteceu na cidade de Palmácia, no Maciço do Baturité, no Estado do Ceará. Eis as primeiras estrofes do cordel:

Nesse mundão de meu Deus
Tudo pode acontecer
Não devemos duvidar
Nem jamais poder dizer
Que isso ou aquilo é impossível
E que nunca iremos ver.



Eu vou contar uma história
Realmente interessante
Que ocorreu na minha terra
Algo significante
Há mais ou menos quinze anos
Um fato bem relevante.

Refiro-me a Palmácia
Um lugar de gente ordeira
Pacata e de muita fé
Frase mais que verdadeira
Local onde os habitantes
São pessoas de primeira.

Em um sítio muito próximo
Boa Esperança chamado
Um certo homem morreu
Algo muito comentado
Levaram-no pra cidade
Onde ia ser sepultado(...)

Acesse: http://www.cecordel.com.br/

29 ANOS DIVULGANDO E INCENTIVANDO A LITERATURA DE CORDEL

quinta-feira, 16 de julho de 2015

15 ANOS SEM HERMES VIEIRA(17/07/2015)

A MAIOR EXPRESSÃO DA POESIA POPULAR PIAUIENSE(J. Miguel de Matos-Antologia Poética Piauiense - J. Miguel de Matos. Editora Artenova. Ed.1974. Págs: 157 a 164) 
Com este fac símile, prestamos homenagem ao poeta folclorista e indianista Hermes Vieira. O trabalho foi publicado no ALMANAQUE DA PARNAÍBA, edição de 1959. O texto grifado é uma correção do autor. digitalização é de seu filho o poeta e radialista Guaipuan Vieira. 




Acesse: http://www.cecordel.com.br/
CECORDEL-28 ANOS VALORIZANDO A LITERATURA DE CORDEL