terça-feira, 29 de março de 2016

CANTOS DE CORDEL
    
Com apoio do Cecordel e edição da Editora Ribeiro’s, o poeta cordelista Gennecy Silva, baiano de Paulo Afonso, realizou o sonho de publicar o livro Contos de Cordel, uma coletânea de poemas populares, produzidos em meados de 1988. Dessas obras destacam-se a LUTA DO TOURO COM A SUCURI e LAMPIÃO NO PURGATÓRIO. É uma obra singular que enriquece a literatura de cordel. No poema Reflexão, o autor exalta os desígnios da vida, em paralelo à existência divina.



Quando vem dificuldades  
Tornar caminhos incertos,  
Nunca cruze os seus braços
Diante desses desertos;
Pense só por um segundo
Que o maior homem do mundo
Morreu de braços abertos.

Pertence a Deus a montanha
O vulcão que o fogo lança,
A temível cachoeira,
O lago que trás bonança;
É de Deus o homem eleito
Que carrega no meu peito
Um coração de criança.

Pouco tenho nessa vida
Sofrida e muito enfadada,
Mais o pouco que possuo
Vale mais que esmeralda,
É um tesouro lapidado,
Pouco com Deus é aumentado
Muito sem Deus não é nada.

Acesse:

Uma entidade a serviço da literatura de cordel -29 anos conservando,
e incentivando essa cultura popular nordestina.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

ARQUIVO CULTURAL
LEITURA
Um livro por uma rosa

Na Praça dos Leões, doar e comprar livros foram motivos para ganhar rosas. A Festa do Livro e da Rosa acabou neste sábado
A FESTA DO LIVRO e da Rosa foi encerrada ontem na Praça dos Leões, Centro de Fortaleza(Foto: EVILÃZIO BEZERRA)
[23 Abril 16h15min 2005]

Livros para todos os gostos e idades. Distribuição de rosas, contação de histórias, maratona de leitura do Quixote das Crianças de Monteiro Lobato, oficina de cordel. Pela praça, a trupe literária Cavaleiros da Dama Pobreza e Grupo Garajal convocavam os presentes, por meio da música, a conhecer o ''mundo'' mágico da leitura. Essas atrações marcaram o encerramento, neste sábado, da Festa do Livro e da Rosa, na Praça dos Leões, no Centro de Fortaleza.

Nixon Araújo, assessor da Coordenadoria de Política do Livro e Acervo da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), diz que a festa, em Fortaleza, foi inspirada na tradição da Espanha, onde os livreiros vão às ruas e, além de vender livros, entregam rosas à população. Segundo ele, a Unesco aproveitou a iniciativa e instituiu o dia 22 de abril como o Dia Mundial do Livro. Esta é a terceira edição do evento na capital cearense. Na Praça dos Leões estavam 14 livreiros, foram montados estandes da Secretaria da Educação Básica (Seduc) e da Biblioteca Pública governador Menezes Pimentel.

Desde o último dia 22, foram realizadas atividades literárias em praças, na Academia Cearense de Letras (ACL) e Museu do Ceará. Grupos de contação de história e de oficina de poesias também foram aos bairros Tancredo Neves e Mercado dos Pinhões. Na Academia Cearense de Letras, houve mesa-redonda sobre os 400 anos de Quixote, de Miguel de Cervantes, e apresentação de teatro sobre a obra do autor. Guaipuan Vieira, autor do cordel sobre a história da vida e da morte do Papa João Paulo II, estava animado com a procura pela literatura de cordel. Os exemplares estavam sendo vendidos a R$ 1,00.

A técnica de radiologia Silvia de Oliveira confessa que ficou encantada com a variedade de títulos literários. ''A vontade que tenho é de ficar por aqui, conferindo e comprando''. Os autores preferidos dela José de Alencar e Machado de Assis. Não foi por menos que levou uma das principais obras de Machado, Dom Casmurro, para o filho de 13 anos. ''O mais interessante aqui é poder comprar barato e ainda ganhar rosa''.

A guia de turismo Inês Ferreira gostou da idéia da festa e sugeriu que o evento fosse repetido a cada mês. ''Achei ótima''. O aposentado Pedro da Silva, 68, foi ao centro fazer umas compras e aproveitou para comprar livros. ''Com um preço desse, vou levar Tieta do Agreste, de Jorge Amado, e As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis''. A Festa do Livro e da Rosa é realizada pela Secult, em parceria com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), com apoio da Prefeitura de Fortaleza.



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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Sarau junino homenageia grandes poetas populares brasileiros

24/06/2015 • 16:30
Da redação do Portal AZ


Poesia também rima com festa junina. Tanto que nesse mês mais festivo do nordeste, a Oficina da Palavra  promove o Sarau Junino. Será nesta quinta, às 20h, em homenagem aos poetas Patativa do Assaré, Hermes Vieira, “João José Piripiri”, “Zé da Luz”; “Azulão”,  que produziram obras marcantes em diversas partes do país.

Mestre Azulão, um dos fundadores da feira nordestina no Rio de Janeiro, escreveu mais de 300 cordéis, repentista renomado, é considerado o príncipe do cordel brasileiro. O repentista Zé da Luz foi poeta popular brasileiro, alfaiate de profissão, tornou-se um dos nomes mais divulgados do repente nacional.

Outros nomes do folclore nordestino, como Hermes Vieira, incluíram o Piauí no rol de estados exportadores da boa poesia cordelista. “João José Piripiri” foi o pseudônimo de Cineas Santos enquanto escritor de cordéis na década de 70. A temática de sua produção à época continua recente, pois tinha como foco mostrar uma sociedade desigual; situação que ainda persiste.
Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré (foto acima), conseguiu grande expressão no país, tornando-se um dos principais nomes do cordel no Brasil e no exterior. Sua vida e obra são de grande importância científica, sendo temas de produções acadêmicas em diversas áreas do saber humanístico. 

O cardápio do sarau contará com os típicos pratos sertanejos: maria-isabel; beiju com carne de sol; paçoca; pamonha; canjica; cocada e rapadura. A noite promete com muito pé-de-serra e festa a noite toda. A entrada é franca. Viva o sarau junino!

OBS: O poeta Hermes Vieira não era cordelista. Era um poeta popular e indianista. Sua poética  expressa o dialeto do homem nordestino. Com métricas na 3ª e 7º sílaba. Estilo próprio, o que o poeta cordelista não faz. 


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016


A CHEGADA DE LAMPIÃO NO CÉU

Um clássico da literatura de cordel, escrito nos anos 70, em Teresina Piaui, pelo poeta piauiense Guaipuan Vieira. Várias edições. Cordel cedido ao Domínio Público para pesquisa. É tema de estudos em livros didáticos, monografias e dissertações de mestrado.


Foi numa Semana Santa
Tava o céu em oração
São Pedro estava na porta
Refazendo anotação
Daqueles santos faltosos
Quando chegou Lampião.

Pedro pulou da cadeira
Do susto que recebeu
Puxou as cordas do sino
Bem forte nele bateu
Uma legião de santos
Ao seu lado apareceu.




São Jorge chegou na frente
Com sua lança afiada
Lampião baixou os óculos
Vendo aquilo deu risada
Pedro disse: Jorge expulse
Ele da santa morada.

E tocou Jorge a corneta
Chamando sua guarnição
Numa corrente de força
Cada santo em oração
Pra que o santo Pai Celeste

Não ouvisse a confusão(...)



















O pilotão apressado
Ligeiro marcou presença
Pedro disse a Lampião:
Eu lhe peço com licença
Saia já da porta santa
Ou haverá desavença.

Lampião lhe respondeu:
Mas que santo é o senhor?
Não aprendeu com Jesus
Excluir ódio e rancor?...
Trago paz nesta missão
Não precisa ter temor.

Disse Pedro isso é blasfêmia
É bastante astucioso
Pistoleiro e cangaceiro
Esse povo é impiedoso
Não ganharão o perdão
Do santo Pai Poderoso.

Inda mais tem sua má fama
Vez por outra comentada
Quando há um julgamento
Duma alma tão penada
Porque fora violenta
Em sua vida é baseada.

 - Sei que sou um pecador
O meu erro reconheço
Mas eu vivo injustiçado
Um julgamento eu mereço
Pra sanar as injustiças
Que só me causam tropeço.


terça-feira, 13 de outubro de 2015

 A HISTÓRIA DE UMA CADELA AMIGA 
    
 O poeta palmaciano Helder Campos, autor de dezenas de cordéis, com temáticas diversas, não perde tempo para escrever novas histórias, típicas da literatura de cordel. O trabalho mais novo narra A HISTÓRIA DA CADELA QUE PERMANECEU JUNTO AO DONO MESMO APÓS A SUA MORTE.  O fato aconteceu na cidade de Palmácia, no Maciço do Baturité, no Estado do Ceará. Eis as primeiras estrofes do cordel:

Nesse mundão de meu Deus
Tudo pode acontecer
Não devemos duvidar
Nem jamais poder dizer
Que isso ou aquilo é impossível
E que nunca iremos ver.



Eu vou contar uma história
Realmente interessante
Que ocorreu na minha terra
Algo significante
Há mais ou menos quinze anos
Um fato bem relevante.

Refiro-me a Palmácia
Um lugar de gente ordeira
Pacata e de muita fé
Frase mais que verdadeira
Local onde os habitantes
São pessoas de primeira.

Em um sítio muito próximo
Boa Esperança chamado
Um certo homem morreu
Algo muito comentado
Levaram-no pra cidade
Onde ia ser sepultado(...)

Acesse: http://www.cecordel.com.br/

29 ANOS DIVULGANDO E INCENTIVANDO A LITERATURA DE CORDEL

quinta-feira, 16 de julho de 2015

15 ANOS SEM HERMES VIEIRA(17/07/2015)

A MAIOR EXPRESSÃO DA POESIA POPULAR PIAUIENSE(J. Miguel de Matos-Antologia Poética Piauiense - J. Miguel de Matos. Editora Artenova. Ed.1974. Págs: 157 a 164) 
Com este fac símile, prestamos homenagem ao poeta folclorista e indianista Hermes Vieira. O trabalho foi publicado no ALMANAQUE DA PARNAÍBA, edição de 1959. O texto grifado é uma correção do autor. digitalização é de seu filho o poeta e radialista Guaipuan Vieira. 




Acesse: http://www.cecordel.com.br/
CECORDEL-28 ANOS VALORIZANDO A LITERATURA DE CORDEL


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015



DISSERTAÇÕES & ESTUDOS SOBRE CORDEL


Reprodução


O FOLHETO NA HISTÓRIA E A HISTÓRIA NO FOLHETO
Práticas e Discursos Culturais do Cordel de Circunstância
em Fortaleza (1987- 2007) - Alyne B. F. Virino Ricarte
 
Este fato (a criação do Cecordel) marca um período novo na
Literatura de Cordel, em Fortaleza até esta data, não existia um
núcleo que se preocupasse exclusivamente com a produção de
cordel ... o impulso que faltava para realização do cordel urbano...
Ler mais: Dissertação folheto na história - Alyne Virino ... - Uece
  
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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram encontrados três folhetos que retrataram a temática AIDS. Para familiarizar os leitores com os cordelistas do presente estudo, teceremos breves comentários sobre eles. Manoel Monteiro nasceu em Bezerro, Pernambuco, em fevereiro de 1937. Importante cordelista brasileiro em atividade, com uma produção densa e diversificada, abordando temas de toda a área da atividade humana e membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Em razão da qualidade de sua produção, a literatura de cordel está sendo indicada para a grade escolar de várias cidades brasileiras. 4-7 Outro cordelista foi Elizeu de Souza Paulino, nascido em 1964 em Pacatuba no Ceará, com vários folhetos publicados. Atualmente representa os poetas populares na Banca Nacional do cordel, na praça dos Correios, no centro de Fortaleza.8 Os demais autores foram Guaipuan Vieira e Gerardo Carvalho (Pardal).


O primeiro é Membro da Academia Municipalista de Letras do Estado do Ceará e Presidente do Centro Cultural dos Cordelistas do Nordeste (Cecordel), e o segundo é poeta cordelista, graduado em Filosofia Pura, especializado em Tecnologia Educacional em nível de pós-graduação lato sensu e estudante de Comunicação Social. Em 1994 destacou-se entre os doze primeiros colocados do Prêmio de Literatura de Cordel do Ceará, promovido pelo Governo do Estado do Ceará, com 120 concorrentes. 9 Os folhetos tiveram como temas, autores e conteúdo, respectivamente: Quem não usa camisinha, não pode dizer que ama, de Manoel Monteiro, que retrata doenças sexualmente transmissíveis; prevenção do HIV e educação em saúde (uso da camisinha); origem do vírus e conseqüência da infecção; grupos de risco; aborto, sinônimo de inconseqüência; educação no pré-natal; teste e exameutilizado no diagnóstico da AIDS; situações em que não há a contaminação pelo vírus; câncer (CA) de mama e colo uterino (prevenção e exames); Previnase contra a AIDS, de Elizeu de Souza Paulino, que aborda a contaminação, transmissão; prevenção e prostituição x HIV/AIDS; e Previna-se contra a AIDS: ela mata, de Guaipuan Vieira e Gerardo Carvalho (Pardal), que discorre a respeito da ação do vírus;prevenção; gestante x HIV/AIDS e situação em que o vírus não contamina. Ler mais: Pág.664: http://www.redalyc.org/pdf/714/71416410.pdf

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História de cordel



Postado em 09/03/2005



Em 28 de outubro de 2002, um dia após a vitória de Lula no segundo turno, o poeta Guaipuan Vieira, piauiense radicado no Ceará, onde fundou o Centro dos Cordelistas, compôs o "livrinho" Lula, um Operário na Presidência, o primeiro dos muitos que saudariam a ascensão de um nordestino humilde ao cargo de primeiro mandatário da República. Três anos depois, porém, ele confessava sua decepção em O Famoso Mensalão e a Caixa-Preta do Governo do PT, em parceria com Zé Furtado:



Marcos Valério e Delúbio
Aparecem no cenário
Fazem cair Genoíno
Dirceu seguiu itinerário
Duda Mendonça presente
Complicou o presidente
Com terrível comentário.

Enquanto isso o nordeste
Com todo seu solo quente
Mesmo com tanta energia
Vê sofrer a sua gente
Quem lhe prometeu fartura
Vai perdendo a estrutura
De ser grande presidente
Ler mais: http://www.sescsp.org.br/online/artigo/compartilhar/3288_HISTORIA+DE+CORDEL
              
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A CULTURA DOS CORDÉIS

 (...)Aprendizado, inúmeras possibilidades educativas, seja porque favorece o aprendizado, a partir do lúdico, seja porque é um recurso de ensino que, ao trabalhar com uma linguagem e com temas do cotidiano, favorece o ensino aprendizagem. Dito de outra forma, o poeta popular, ao se dirigir ao seu públicoleitor, deseja que ele compreenda o que quer dizer. Por isso, em seus textos, fala ao seu leitor numa linguagem que ele entende. O poeta Guaipuan Vieira, sinalizando para essa questão, enfatiza que “A literatura de cordel, nos dias atuais, é uma rica ferramenta pedagógica de incentivo à leitura e à oralidade dos séculos, levando-nos a ser leitores fluentes e críticos no universo prosaico” (GUAIPUAN VIEIRA).

O poeta de cordel usa palavras rimadas para ressaltar o que ocorre no cotidiano e que faz parte do mundo social e da realidade da vida, com o objetivo de se dirigir ao povo, mas, ao ser introduzido no mundo da escola, o que ele produz ensina numa dimensão educativa que, alçada num saber popular, possibilita a construção do conhecimento no espaço da escola, integrando o educando à sua realidade, ao seu mundo e à vida. Nos folhetos, os poetas povoam...(Pág.166) Ler mais: A CULTURA DOS CORDÉIS: território(s) de tessitura de ...

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Universia disponibiliza títulos de cordel na web
Com um clique, o universo do sertão nordestino se descortina na tela do computador, a Universia Brasil acaba de disponibilizar 40 folhetos de literatura de cordel para download.  O sucesso da novela Cordel Encantado foi uma boa amostra do poder de sedução do gênero literário tipicamente brasileiro, especificamente da região Nordeste. E as novidades no resgate da literatura de cordel não param aí. Agora, com um clique, o universo do sertão nordestino se descortina na tela do computador. A Universia Brasil acaba de disponibilizar 40 folhetos de literatura de cordel para baixar gratuitamente pela internet. Ler mais: